Inclui discussão dos achados e implicações de design

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2026-10-12 19:47:41 -04:00
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@@ -300,7 +300,7 @@ O questionário baseado na FSS-\textit{short} foi aplicado para avaliar as sensa
Os resultados evidenciam uma tendência clara de concordância elevada entre os participantes, indicando que a ferramenta proporcionou uma experiência alinhada aos princípios centrais da teoria do flow. A predominância de respostas positivas — especialmente nas categorias \textit{Concordo parcialmente} e \textit{Concordo totalmente} — revela que os usuários vivenciaram estados de imersão, concentração e envolvimento compatíveis com as dimensões avaliadas pela versão \textit{short} da FSS. A baixa incidência de discordância e a presença moderada de neutralidade reforçam que, embora alguns aspectos possam ter sido percebidos com menor intensidade, o conjunto da experiência foi amplamente satisfatório e favoreceu a sensação de controle, clareza de objetivos e prazer intrínseco durante a atividade. Esses achados sugerem que a ferramenta foi eficaz em promover condições psicológicas propícias ao estado de flow, fortalecendo sua adequação ao contexto investigado.
De forma integrada, os resultados obtidos por meio dos três instrumentos de avaliação — SUS, TAM e FEQ — revelam que o chatbot apresenta desempenho sólido em diferentes dimensões da experiência do usuário. O resultados também conversam com os trabalhos de Silva et al. \cite{Silva2023} e Camargo et al. \cite{Camargo2013}, na qual apresentam resultados satisfatórios na aplicação das ferramentas de mensuração. Os achados do SUS indicam que o sistema é amplamente percebido como fácil de usar, aprender e operar, com baixa percepção de complexidade ou inconsistência. Complementarmente, o questionário baseado TAM demonstra que os participantes reconhecem a utilidade prática da ferramenta, consideram sua interação simples e manifestam intenção positiva de utilizá-la novamente, evidenciando forte aceitação da tecnologia. Por fim, os resultados da FEQ mostram que o chatbot é capaz de promover estados de imersão, concentração e envolvimento compatíveis com a teoria do \textit{flow}, reforçando que a experiência proporcionada é não apenas funcional, mas também psicologicamente engajadora. Em conjunto, esses instrumentos apontam que o sistema oferece boa usabilidade, é bem aceito pelos usuários e favorece uma interação envolvente, sustentando sua adequação ao contexto de aplicação e seu potencial para adoção contínua.
De forma integrada, os resultados obtidos por meio dos três instrumentos de avaliação — SUS, TAM e FSS-short — revelam desempenho positivo em diferentes dimensões da experiência do usuário. Os achados do SUS indicam que o sistema é percebido como fácil de usar, aprender e operar. Complementarmente, o TAM demonstra reconhecimento da utilidade prática, facilidade de uso e intenção de reutilização. Por fim, a FSS-short sugere concentração, controle e envolvimento durante a interação. Esses resultados apontam convergência entre usabilidade, aceitação e experiência subjetiva, sem eliminar as dificuldades pontuais evidenciadas pelos itens menos favoráveis e pela análise lexical.
\subsection{Análise qualitativa}
@@ -361,6 +361,18 @@ Entradas não reconhecidas & Termos ``erro'' e ``problema'' na análise lexical
As severidades são estimativas iniciais baseadas na combinação entre percentuais e evidências lexicais; devem ser confirmadas por análise dos registros de interação e por uma avaliação de impacto e frequência. A inclusão de trechos literais das respostas, codificados como P1, P2 etc., fortalecerá a sustentação empírica desta tabela. Recomenda-se também ampliar a resolução das Figuras 5, 6 e 7 na versão final e conferir sua correspondência com a posição dos termos no plano fatorial.
\section{Discussão}
O escore SUS estimado em 75,5 situa o chatbot Liz acima do ponto de referência de 68 utilizado na literatura e na faixa adjetivada como boa por Bangor, Kortum e Miller \cite{Bangor2009}. Essa interpretação é compatível com avaliações de chatbots em saúde que combinam SUS a observação de tarefas e outros instrumentos. Holmes et al. \cite{Holmes2019}, por exemplo, mostraram que o SUS é útil para uma visão global da usabilidade, mas não descreve sozinho aspectos conversacionais como continuidade do diálogo, tratamento de erros e adequação das respostas. No presente estudo, os itens SUS menos favoráveis e os termos ``erro'', ``problema'', ``digitar'' e ``responder'' cumprem justamente essa função complementar. Como os trabalhos utilizam amostras, tarefas e versões de instrumentos distintas, não é adequado estabelecer uma hierarquia direta de escores entre os chatbots; a comparação deve ser interpretada como convergência metodológica.
Os resultados do TAM também dialogam com estudos de agentes conversacionais que relacionam utilidade percebida, facilidade de uso, confiança e intenção de uso. Silva et al. \cite{Silva2023} mostram que a aceitação pode depender de fatores adicionais ao TAM original, enquanto o estudo de Liz evidencia que a utilidade do agendamento e a simplicidade da interação são centrais para a percepção dos participantes. O resultado menos favorável de UP4 indica que a utilidade não é homogênea entre as funcionalidades: uma operação pode ser considerada simples, mas não necessariamente percebida como suficientemente necessária ou vantajosa. Essa distinção deve orientar a revisão do conteúdo e da apresentação das funções do chatbot.
Na dimensão do fluxo, a tendência favorável da FSS-short sugere que menus objetivos, metas claras, confirmação de etapas e retorno imediato podem favorecer concentração e sensação de controle em uma interação curta. Essa evidência é complementar, e não equivalente, à usabilidade ou à aceitação: uma interface pode ser fácil e útil sem produzir envolvimento, assim como uma interação envolvente pode esconder dificuldades operacionais. A articulação entre os três construtos permite, portanto, distinguir eficiência funcional, valor percebido e qualidade subjetiva da experiência. Ainda são necessários estudos com registros temporais e medidas comportamentais para verificar se a percepção de fluxo se mantém em uso prolongado.
As implicações para o design de chatbots de saúde pública são práticas. Para usuários com menor letramento digital, recomenda-se reduzir a dependência de texto livre, usar opções numeradas e linguagem direta, explicar o estado atual da conversa, permitir correção e retorno a etapas anteriores e oferecer mensagens de erro acionáveis. O sistema também deve evitar que uma entrada não reconhecida encerre o diálogo ou obrigue o usuário a reiniciar o cadastro. Essas recomendações são coerentes com o estudo do AppDate-You, voltado ao rastreamento do câncer do colo do útero em mulheres em situação socioeconômica desfavorável, que identificou valor educativo e facilidade de uso, mas também respostas repetitivas e necessidade de esclarecer termos médicos \cite{LeBonniec2025}.
Há, portanto, convergência entre os resultados quantitativos e qualitativos quanto à facilidade e à utilidade do agendamento. As escalas sintetizam uma avaliação global positiva, enquanto a análise lexical revela onde essa avaliação é condicionada por digitação, resposta e tratamento de erros. A divergência aparente — escore global favorável coexistindo com termos críticos — não é contradição: indica que médias agregadas podem ocultar falhas localizadas. A discussão deve ser refinada quando estiverem disponíveis os escores individuais, as características dos participantes, os trechos literais das respostas e os registros de interação.
\section{Limitações do Projeto}